A nova realidade nas Aldeias SOS pelos olhos de Ana

O caminho de Ana nas Aldeias de Crianças SOS começou em 2010 como voluntária. Mas foi há 3 anos que a sua vida mudou completamente quando se tornou cuidadora de referência, Mãe SOS. Vive na Aldeia SOS da Guarda e ao seu cuidado, na sua casa, conta com 7 crianças e jovens, entre os 6 e os 19 anos, sendo que quatro são irmãos biológicos. 

 

Ana é uma senhora de sorriso fácil mas com um sentido de responsabilidade e de missão muito grande. Numa tarde de junho, aceitou abrir-nos o seu coração e contar como foram estes tempos de confinamento na Aldeia SOS da Guarda. 

Muito positiva, e mesmo confirmando que foram tempos difíceis e desafiantes, contou-nos que está muito orgulhosa do comportamento de todas as crianças e jovens da Aldeia SOS. Todos se adaptaram com grande responsabilidade às exigências propostas pelo Plano de Contingência, mesmo até os jovens mais velhos, habituados a mais autonomia. A sua maior preocupação foi mantê-los ativos com atividades físicas e focados no estudo. Confessa-nos, com sorriso de quem cuida, que acredita que as crianças da sua casa vão ter boas notas no final do ano e que essa seria a sua maior alegria! 

 

A Aldeia SOS foi-se adaptando à realidade do momento e os esforços de toda a equipa técnica foram essenciais para que tudo tenha corrido da melhor forma. “Com vários apoios e donativos, conseguimos montar um ginásio aqui na Aldeia SOS e ainda adaptar um espaço comum para escola, com equipamentos informáticos”, conta-nos. “Todas as crianças tomavam o pequeno-almoço em casa e saíam para a escola dentro da Aldeia SOS e regressavam a casa pelas 16h. Esta rotina permitiu manter alguma “normalidade” na vida das crianças, o que acreditamos ter sido essencial para o seu bem-estar físico e emocional”, continuou. Esta organização só foi possível graças ao trabalho de equipa reforçado até com alguns voluntários na área do estudo, e esta “escolinha” na Aldeia SOS permitiu ainda flexibilidade para cuidar da casa e para reuniões da equipa técnica, de forma a que a programação dos dias seguintes estivesse garantida.

 

Para Ana, ser cuidadora “não é um emprego, mas sim, uma missão de vida” e acredita que só com esta entrega e dedicação é possível ultrapassar obstáculos e fazer dos desafios, oportunidades.