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À medida que envelhecemos damos menos importância ao quanto o mundo evolui. Quando éramos jovens, o mundo era povoado de constante mudança. Hoje, damos sobretudo valor à constância, ao que permanece. Mas quando ouvimos os jovens somos recordados do deslumbramento, do prazer e do receio que as coisas novas sempre provocam.

A mais recente revolução foi a Internet e o seu impacto no espaço familiar. Em 2012, quando as Aldeias de Crianças SOS abriram o seu primeiro CAFAP, a internet era ainda – sobretudo - o computador no quarto onde o jovem passava o dia a jogar ou no chat com os amigos. Afinal, o 4G chegara apenas em 2011. Desde dessa altura, o acesso à Internet generalizou-se: hoje temos net no telemóvel, na tablet, no carro, na televisão. Vulgarizou-se o uso de dados móveis, dos hotspots e do wi-fi. As aplicações cobrem todos os momentos do nosso dia-à-dia, das redes sociais, ao uso da trotinete, das compras dos ténis ao acesso à escola. Muitas vezes, divinizada pelos jovens e demonizada pelos adultos (que também abusam muitas vezes no seu uso), a internet passou a ser vista como uma barreira à comunicação entre as gerações.

Ora, se por um lado existe a necessidade de alertar todos para o uso perigoso da internet e para o  risco da permanência do que é dito, publicado e comentado nas redes sociais, por outro – em muitos casos - o perigo não reside no uso do smartphone, mas na forma como lidamos com a comunicação em família e no espaço familiar.

Apoio no uso da internet

No CAFAP de Oeiras, um dos desafios mais frequentes é exatamente o de conciliar estas duas formas de estar no mundo: a cultura dos pais baseada nas tradições, na hierarquia, no estar presente e na maior formalidade e a cultura dos jovens assente na flexibilidade, na fluidez emocional, na ausência de hierarquia e no estar virtual. E transmitir que ao invés de uma barreira, a internet é uma autoestrada comunicacional.

Algumas ideias para pensar e, se quiser, pôr em prática:

Procure saber como usar a internet e como esta funciona para que possa entender o seu filho e perceber os seus interesses.

Estabeleça limites temporais ao uso da net e dos jogos e, se possível desde muito cedo.

Estabeleça momentos informais de convívio onde todos os membros da família falem do seu dia e em que a internet e os restantes ecrãs (atenção televisão) estão ausentes – caso do jantar.

Não recorra a filtros, a buscas escondidas do histórico, à geolocalização, à leitura do chat por cima do ombro. Só contribuem para gerar desconfiança, para colocar barreiras à comunicação e à busca de espaços alternativos por parte de quem se sente vigiado.

Encontre na partilha da internet com o seu filho oportunidades de comunicar – por exemplo “batalhas musicais” em cada um usa o Spotify para dar conhecer ao outro o que gosta; jogue com o seu filho, troque emojis, vídeos tik tok, etc.

Respeite o seu espaço (as redes sociais são do seu filho e à medida que este cresce cabe-lhe supervisionar, não guiá-lo ou dar-lhe ordens ou dizer o que deve dizer e a quem).

E, sobretudo descubra como dizer todos dias, de forma diferente, eu gosto de ti nos emojis.

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