África do Sul – 8. fevereiro 2018

Crise da água

A seca prolongada obrigou as autoridades a restringir o consumo e a utilização da água. As famílias das Aldeias de Crianças SOS de Cape Town e Port Elizabeth, estão a encetar todos os esforços para economizar água.

As autoridades da Cidade do Cabo alertaram para a descida dos níveis nas barragens e reservatórios e as previsões apontam para que o abastecimento público de água apenas dure até meados de abril, o que obriga as famílias SOS e a comunidade em geral a reduzir o consumo de água.
 
O consumo de água "per capita" da África do Sul é de cerca de 235 litros de água por dia. As autoridades da Cidade do Cabo e da área de Nelson Mandel Bay estão a apelar para que cada residente não consuma mais de 50 litros por dia. Os cálculos da Organização Mundial da Saúde mostram que é necessário um mínimo de 60 litros por dia para beber, cozinhar, higiene pessoal e limpeza geral da habitação.
 
A precipitação anormalmente baixa, está a afetar outras zonas da África do Sul e países vizinhos.
 
A Aldeia de Crianças SOS de Port Elizabeth está a instalar medidores de água em cada casa e outras medidas para reduzir o consumo. Se as chuvas não caírem nos próximos seis meses, e os residentes não diminuírem o consumo, as barragens podem ficar secas.
 
"As crianças e jovens estão a fazer a sua higiene com espuma de aerossol sem água", disse Jackie Scheuble, Diretor de Programa para as Aldeias de Crianças SOS da África do Sul.
 
A Aldeia de Crianças SOS em Port Elizabeth está a reciclar a água dos chuveiros e banhos para os jardins. A água limpa é colocada em baldes de cinco litros para cozinhar e lavar pratos. A água potável é fornecida em recipientes de plástico.
 
Na próxima entrevista, Lezel Molefe, Diretor de Programa da Aldeia das Crianças da SOS de Cape Town, explica a situação da água e o que as famílias SOS estão a fazer para reduzir o uso da água.


A cidade do Cabo deverá ficar sem água em abril. Que medidas estão a ser tomadas para precaver essa possibilidade?
Neste momento, estamos a cumprir com as restrições impostas pelas autoridades locais. Estas restrições implicam grandes alterações nas nossas rotinas, tais como o tempo que levamos a tomar banho, lavagem a roupa, como lavamos as mãos e a quantidade de água utilizada na cozinha e nas limpezas. A situação está a afetar a manutenção da aldeia, mas temos de tentar manter as melhores condições higiénicas para as crianças e famílias.
Não podemos cortar a água potável, mas é possível reduzir o consumo de outras formas. Por exemplo, estamos a reciclar a água cinzenta - a água capturada nos banhos ou no chuveiro - para irrigar o chão e o jardim. A crise está a obrigar-nos a repensar como utilizamos a água.

Como as crianças e as famílias da Aldeia SOS de Cape Town, estão a viver com as restrições de água?
Estamos a incentivar e a sensibilizar as crianças para a conservação da água. As escolas adotaram uma abordagem muito educativa neste sentido. As crianças estão a ser educadas para gerir esta crise da água, e estão também elas a fazer grandes esforços para salvar a água.

Quais as lições que retiramos para o futuro?
Não se trata apenas de economizar água, mas também o dinheiro, a moral e os princípios inerentes á ideia de “salvar” que vão influenciar a vida das crianças. As tomadas de decisões, gestão de conflitos, intervenção na crise – podemos aprender muitas lições, são experiências  que as crianças vão utilizar a longo prazo.

Já tinha existido este tipo de seca na Cidade do Cabo?
Foi sempre quente no verão, mas nunca foi tão seco. Como quase não houve chuva no inverno passado, este verão foi muito difícil.

Qual o impacto da crise da água nos alimentos?
Os produtos ainda estão disponíveis, mas os agricultores da área da Cidade do Cabo estão muito preocupados com o fato de não ser possível fornecer produtos frescos à comunidade. Ainda não somos afetados, mas os preços dos alimentos estão a tornar-se cada vez mais elevados – no espaço de um ano, provavelmente duplicaram.

Saiba mais sobre as Aldeias de Crianças SOS na África do Sul.
 
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