Bangladesh – 27. dezembro 2017

Crise do Myanmar e o massacre dos Rohingya

A agência de refugiados das Nações Unidas (UNHCR) calcula que, desde agosto de 2017, mais de 615.000 refugiados Rohingyas chegaram ao Bangladesh, na sua maioria mulheres e crianças.

As Aldeias de Crianças SOS do Bangladesh estão a finalizar agora os planos de emergência em resposta ao crescente número de refugiados Rohingya que, dia após dia, chegam do país vizinho, Myanmar. 

As Aldeias de Crianças SOS propõem ajudar as crianças Rohingya nos campos de refugiados de em Kutupalong e Balukhali, através de atividades e apoio psicológico, garantindo um ambiente seguro e protegido. Estes dois centros encontram-se a 200km de Chittagong, onde existe uma Aldeia SOS, instalações para jovens e outros programas.

Na entrevista que se segue, Ghulam Ahmed Ishaque, Diretor Nacional das Aldeias de Crianças SOS do Bangladesh, responde a algumas questões sobre a situação dos refugiados no país e as necessidades mais prementes das crianças.

SOS: Quais as necessidades mais imediatas das crianças nos campos de refugiados? 
Nos centros de refugiados, para as crianças é impreterível a existência de bens básicos e essenciais, tais como água, comida e cuidados médicos. Existe ainda necessidade de roupa, abrigos e, devido a todo o trauma a que muitas delas foram e são continuamente expostas, apoio emocional e psicológico.


SOS: Como descreveria as condições das crianças refugiadas e das suas famílias?
As crianças Rohingya continuam a enfrentar muitas dificuldades. Muitas delas sofrem de subnutrição e trauma. Este último muito ligado ao testemunho destas de atos de violência contra as suas famílias e amigos. Os menores desacompanhados são os mais vulneráveis e em risco.

A situação no campo é sombria e o governo está a tentar dar resposta a todas a necessidades dos refugiados. Desde o final de agosto, cerca de 615.000 pessoas chegaram de Myanmar.

Aproximadamente 37.000 crianças estão a viver com um só progenitor, sendo desacompanhadas ou separadas das suas famílias ou vivem com pessoas que não são os seus pais. Estima-se que 7.500 destas crianças tenham perdidos os pais.


SOS: A separação familiar é comum em situações em massa de refugiados. Quão grande é a preocupação desta separação no âmbito desta questão específica e atual no Bangladesh?
Os refugiados Rohingya que são especialmente crianças e mulheres estão numa especial situação de vulnerabilidade. Muitos membros destas famílias não sabem do paradeiro dos seus pais, maridos ou outros responsáveis do sexo masculino.


SOS: O que diferencia a Associação de Aldeias de Crianças SOS das demais organizações que trabalham na ajuda e proteção dos refugiados?
As Aldeias de Crianças SOS do Bangladesh querem estabelecer cinco Espaços Amigos da Criança – espaços usados como ferramenta para criar um ambiente seguro e propício para crianças – para 300 crianças entre os três e oito anos de idade. Estas instalações vão oferecer proteção às crianças e ao trauma, apoio nutricional, cuidados de saúde primários e atividades educativas.


SOS: Qual o estado em que se encontra o governo quanto à aprovação deste processo para as Aldeias de Crianças SOS poderem pôr em prática as operações acordadas?
Existem três níveis de aprovação neste processo. Começa com o escritório do governo de assuntos relacionados com ONG, seguindo-se a da Comissão de Refugiados, Alívio e Reabilitação em Cox’s Bazar e, finalmente, a das autoridades dos Campos de Refugiados. As Aldeias de Crianças SOS continuam à espera da primeira fase de aprovação por parte do mencionado escritório para assuntos relacionados com pedidos de ONG.