Posso chamar-te Mãe?

13 milhões de crianças em todo o mundo não festejam o dia da Mãe.

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A convite da Mãe Berta, entrámos na sua casa para um chá e uns bolinhos numa tarde de chuva que pedia aconchego de casa e família. A lareira e as mantinhas convidavam para uma longa conversa sobre a sua experiência de vida e esta nova missão que abraçou com todo o carinho. Tornou-se uma Mãe SOS há 5 anos e ao contrário do que muitos possam pensar, não ganhou uma família nova, só aumentou a sua.

 

Assistente social, dedicou grande parte da sua vida a projetos na área, principalmente a desenvolver atividades com crianças e jovens em risco. Já conhecia, por isso, o trabalho das Aldeias de Crianças SOS e tinha um desejo enorme de estar presente e envolver-se na construção da vida destas crianças.

Assim, a sua vida ganhou um novo sentido, na sua nova casa, na Aldeia SOS de Gulpilhares, onde  vive com 3 crianças: a Natália, o Duarte a Maria*. Conta-nos, com o coração apertado, mas também cheio de orgulho, que recentemente três jovens que acompanhou, agora já mais crescidos, foram viver para uma das Casas de Autonomia na Aldeia SOS. Mas conta também, num sorriso terno de Mãe, que os laços afetivos perduram.


Para a Mãe Berta, a figura da Mãe SOS na vida destas crianças faz toda a diferença. “O meu trabalho aqui é estar presente.”, conta-nos, “É ser a referência, é estar em todos os momentos, nos bons e nos maus, como qualquer Mãe, como qualquer família. Quando estas crianças chegam à Aldeia SOS, os seus olhos não brilham, o sofrimento e o sentimento de abando vê-se através do olhar. A nossa missão é devolver-lhes esse brilho.” 


Confidencia-nos, com brilho nos olhos, que a sua família ficou muito maior. “Os meus filhos biológicos vêm muitas vezes almoçar ou jantar connosco ou então vamos nós até à terra! A minha família passou também a ser a família deles.” 


Abraçar esta Missão significa, para a Mãe Berta, ter toda a disponibilidade do mundo, quer de tempo, quer emocional, pois “de não sentir chão, eles não precisam mais. Ainda hoje me perguntam à noite: Vens só um bocadinho para ao pé de mim? Só até eu dormir? É este aconchego que eles precisam, esta segurança de ver a mesma cara e agarrar a mesma mão todos os dias ao acordar e ao dormir.”

 
E há palavras que nunca irá esquecer. Quando o Duarte, na altura com 5 anos, a chamou e lhe sussurrou ao ouvido: “Posso chamar-te Mãe?”.

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*nomes fictícios para proteção das crianças.

 

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