Síria: Como é que as Aldeias de Crianças SOS podem ajudar uma geração traumatizada?

30.03.2017 - Andreas Papp, Diretor do Programa de Emergência da SOS International, esteve na Síria no início de Março a visitar os programas SOS em Damasco e Aleppo. Falou-nos sobre o que viu e o que pode ser feito para ajudar a geração mais jovem da Síria.
síria crianças traumatizadas conflito

Papp visitou um Espaço Amigo da Criança SOS, num abrigo para famílias e uma cozinha nos subúrbios de Aleppo, gerida em parceria com as Aldeias de Crianças SOS da Síria, que distribui alimentos a cerca de 18.000 pessoas diariamente. Visitou também vários pontos de distribuição de água na parte mais devastada da cidade e algumas das escolas mais danificadas em Aleppo. Aleppo tem sido o grande campo de batalha da guerra civil síria que começou em Março de 2011. 

SOS: Em que condições e como estão as crianças que conheceu?
AP: As crianças olham para nós com olhos vazios e tristes. Quando perguntamos o que querem ou precisam: futebol, coisas para brincar e roupas. As mães dizem que só têm roupas de inverno e que vão precisar de roupas para os próximos meses de verão, e que calçado é uma grande necessidade para muitas crianças. 

síria crianças traumasNum país devastado pela guerra, tudo faz falta. As crianças precisam de material escolar e escolas para que possam aprender, mas também para que os pais possam ficar mais disponíveis para trabalhar e conseguir a subsistência económica da família.

SOS: Quais são as necessidades mais urgentes das crianças?
AP: Muitas das crianças que acolhemos nos centros de cuidados temporários em Damasco, têm histórias muito chocantes. As crianças viram os pais serem mortos ou encontraram os seus corpos debaixo de destroços. O trauma e a saúde mental das crianças requerem apoio psicológico e emocional com urgência, e é preciso muito apoio às nossas equipas que trabalham com estas crianças.

É necessária uma formação para que estas pessoas que cuidam possam estar mais aptas na identificação dos causos de trauma e respetivas terapias. A assistência médica também é uma grande necessidade. Com a intensificação dos combates, muitos médicos e enfermeiros saíram do país, o que provocou a falta de pessoas qualificadas, nomeadamente pediatras e ginecologistas. É importante haver educação e planeamento familiar. Neste momento, temos apenas dois médicos e enfermeiros para ajudar as mulheres e as crianças num dos principais abrigos nos subúrbios de Aleppo.

Síria crianças traumas
Os residentes de Aleppo fazem fila junto a um tanque de água fornecido pelas Aldeias de Crianças de SOS. Editorial: Aldeias de crianças de SOS Síria / março 2017.