Susana volta a viver com os filhos!

Programa Fortalecimento Familiar Oeiras

31.03.2017 - Esta é uma das 31 famílias apoiadas pelo Programa de Fortalecimento Familiar de Oeiras, que intervém com famílias vulneráveis, para um desfecho positivo e feliz de situações de possível rutura e separação.
pff oeiras

Susana tem 40 anos, nasceu em Cabo Verde e veio para Portugal com apenas 13 anos. Aqui viveu a sua juventude, concretizou alguns sonhos e foi Mãe.

Hoje está separada e tem 3 filhos: o Samuel, com 4 anos; o Martim, com 7 anos e o Filipe, com 16. Com o Pai dos seus filhos, mantém uma relação pouco próxima, embora procure que seja regular.
 
Susana é uma mulher determinada, lutadora e uma cozinheira admirada por muitos, sobretudo os três filhos. Nos últimos anos, esta Mãe teve que enfrentar desafios menos bons.
 
Há 2 anos, a doença e a consequente morte da irmã mais próxima, e as dificuldades em gerir o seu negócio de restauração, marcaram o início de uma fase emocionalmente muito difícil. Para proteger os seus filhos, Susana procurou a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) ponderando entrega-los para acolhimento, até conseguir restabelecer a sua vida.

Depois de longos meses de indecisão e uma grande luta interior, esta Mãe separou-se dos seus dois filhos mais novos durante quase um ano e meio, por ordem judicial. Seguiu-se um período de acolhimento residencial, que Susana não esquece.

Apesar das visitas regulares e alguns períodos festivos, onde podiam estar juntos, foram meses muito difíceis “principalmente ao fim de semana, quando eles estavam mais perto de mim. Comecei a sentir-me mais sozinha…”, refere Susana. O filho mais velho, dada a idade, foi para junto da avó materna, que se encontra a viver em França.

O nosso objetivo com esta família foi a Reunificação Familiar, uma modalidade de intervenção que visa acompanhar o regresso das crianças em acolhimento, ao seu meio familiar. Em maio de 2016, por indicação do tribunal, iniciou-se a intervenção das Aldeias de Crianças SOS. Seguiram-se meses de acompanhamento desta família, nas visitas regulares que Susana fazia aos filhos, bem como através de sessões de diagnóstico e intervenção essenciais para a decisão da reunificação, que era um grande objetivo de todas as partes envolvidas.

Foram meses muito importantes para esta Mãe, como refere emocionada: “Fui acompanhada pelo Dr. Pedro e gostei muito. Ele acompanhou-me em todos os sítios, deu-me sempre apoio e não tenho palavras para agradecer!” Para Susana, este apoio “mudou muitas coisas: a maneira de pensar, de fazer as coisas… foi muito diferente ele estar ao pé de mim e apoiar-me.”

“No início eu achava estranho estarem pessoas a acompanhar-me, mas depois isso acabou por ser bom. Todos os dias aprendemos, e eu aprendi muita coisa!”

O desfecho não podia ser melhor e resultou no regresso de Samuel e Martim a casa, no início deste ano. “Os miúdos estão contentes. Quando eu pergunto se gostam de estar outra vez em casa, dizem que sim… que é melhor estar aqui. Se pudesse estaria sempre a brincar com eles, eles adoram!”

Atualmente o filho mais velho, Filipe, continua a viver com a avó materna, está a estudar francês e pretende trabalhar por lá, o que deixa Susana descansada. O contacto entre todos é frequente, sobretudo nas visitas que fazem a França, importantes para o bem-estar de toda a família.

O Programa de Fortalecimento Familiar (PFF), denominação das Aldeias de Crianças SOS a nível internacional é exercido em Portugal enquanto Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP), vocacionado para o estudo e prevenção de situações de risco social e para o apoio a crianças e jovens em situação de perigo e suas famílias, concretizado na sua comunidade, através de equipas multidisciplinares.

O PFF de Oeiras existe desde outubro de 2015 e já acompanhou 33 famílias, com 63 crianças. Em todo o país, acompanhamos mais de 100 famílias e 150 crianças através deste programa, também presente em Rio Maior e Guarda.
 
Para além da modalidade de Reunificação Familiar, existem também o Ponto de Encontro e a Preservação Familiar que se aplicam a situações familiares diferentes, que nos são sinalizadas pelos tribunais, CPCJ, escolas, equipas de Rendimento Social Único, centros de saúde, entre outras entidades. De todas as famílias que acompanhámos desde 2012, 90% tiveram um desfecho positivo, sendo retirada a indicação de institucionalização.