Dias com sabor a mar

24.08.2016 - Chega o Verão e com ele a parte do ano que as nossas crianças e jovens mais gostam: as férias! Preparam-se as mochilas, as toalhas e os chinelos, metem-se na carrinha e aí vão eles para o Campo de Férias SOS na aldeia do Meco.
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Entre Julho e Setembro, a aldeia do Meco, onde as nossas crianças passam grande parte das suas férias, enche-se de alegria e muita agitação. Como em qualquer colónia de férias, a logística é muita, para que tudo corra pelo melhor.

Na colónia estão sempre presentes dois técnicos das Aldeias SOS, mas é aos monitores da UPAJE  (União para a Acção Cultural e Juvenil Educativa) que cabe toda a dinamização da colónia. Estes monitores são responsáveis pelo planeamento de atividades, a organização e realização das mesmas. 

Estivemos à conversa com a Daniela Pimenta, coordenadora dos monitores, mais conhecida por “Noni”, que explicou o grande desafio que é organizar toda a colónia, manter os miúdos ocupados com atividades interessantes e motivantes e manter a ordem geral na colónia.

meco-ferias-criancas-260x173.jpg“De manhã, vamos sempre para a praia ou para a piscina. Aqui não existem muitas atividades planeadas. Os miúdos brincam na areia, fazem jogos, vão à água e não param quietos! À tarde voltamos para o Campo de Férias SOS e depois de almoço fazemos workshops ou outra atividade mais calminha. Depois do lanche já há outra vez energia de sobra para corridas, jogos mais mexidos, brincar às escondidas e à apanhada. 

Mas é à noite, que acontecem as atividades preferidas dos miúdos. Atividades mais elaboradas, desde festas a jogos com temas", revela-nos Daniela.

Para além das atividades, há toda a logística de manter a colónia a funcionar e organizada. É preciso arranjar estratégias para manter a ordem geral. Temos um cozinheiro que prepara as refeições, que depois são servidas pelos monitores. Tal como na maior parte das atividades, as refeições são feitas ao ar livre e são as crianças que põem a mesa. Existe também ajuda na área da lavandaria, contudo, cabe aos miúdos e aos monitores a organização da roupa e a limpeza das camaratas, atividade que, curiosamente, os miúdos até nem desgostam.

Ana Leite, educadora social na Aldeia SOS de Bicesse, era uma das técnicas presentes no Campo de Férias SOS e com quem também falámos. Explicou-nos toda a logística e gestão que existe por de trás das atividades da colónia. “Hoje isto está muito calminho”, confessa-nos Ana, “estão apenas doze. Às vezes chegamos a ter quase trinta miúdos e a confusão é muita!”. Também nos explica que há momentos mais complicados que requerem maior atenção: “Quando temos alguma criança ou jovem com alguma necessidade especial, temos de ter, praticamente, um dos técnicos, a tempo inteiro, apenas com essa criança, o que, por sua vez, leva a que o outro técnico tenha maior desgaste porque tem de dar atenção a todas as outras crianças”. Mas apesar de todo o cansaço acumulado, diz-nos que é pelo amor e carinho que tem por estes miúdos, que deixa a sua família durante uma semana e muda-se para o frenético Campo de Férias SOS.

meco-2-ferias-criancas-260x173.jpgNo fim da colónia, vem a parte triste para as crianças. Deixar o Campo de Férias SOS e tudo o que isso representa: dormir em camaratas, jogos e muita diversão. Chegou a altura de voltarem para as suas casas das Aldeias SOS de Bicesse, Guarda ou Gulpilhares, onde a dinâmica é outra. As mães SOS confessam-nos que os miúdos chegam sempre diferentes do Meco, vêm muito agitados e demoram a reentrar na rotina escolar e nas tarefas de casa.

E assim são uma parte das férias das nossas crianças e jovens, que também participam noutras colónias no restante tempo ou, no caso dos mais velhos, até já são monitores noutros campos de férias. Muitos acabam até por fazer o curso da UPAJE e animar férias de crianças de outras instituições.

Até Setembro, a azáfama e alegria vai continuar a encher a aldeia do Meco, onde os momentos se tornam memórias inesquecíveis para os nossos miúdos que passam o ano inteiro a pensar na colónia, nos jantares ao ar livre e nas corridas para o mar.