"Tu vais, mas voltas!"

05.06.2017 - A história de três irmãos que acolhemos e a sua ligação à Mãe SOS.
dia da mãeRicardo* com 4 anos, Eva com 6 e Filipe com 10 anos. Para estes três irmãos a infância não foi tão feliz como deveria. Foram retirados da família biológica por ordem judicial, e sendo uma fratria, as Aldeias de Crianças SOS foram a organização escolhida para os acolher. Em 2016, a Aldeia SOS de Bicesse deu vida a uma nova casa e família: os três irmãos e a sua Mãe SOS, Marta.

Para Marta, de 36 anos, solteira e sem filhos, começava o maior desafio da sua vida: dar amor e um lar a estas crianças. Depois de trabalhar como Tia durante os primeiros dois anos e meio, a chegada desta fratria foi o motivo para o início do seu novo papel na Aldeia SOS.

“São muito bem dispostos e foi fácil agarrar-me a eles!” 

O dia-a-dia das crianças na Aldeia SOS é semelhante ao de qualquer outra criança: vivem numa casa com uma Mãe SOS e os seus irmãos, brincam, vão à escola e a outras atividades, fora da Aldeia SOS, tomam as refeições à mesa, em família e, adormecem  com o beijinho de quem cuida delas.  

A relação que se constrói entre as crianças e a Mãe SOS é o pilar deste modelo de acolhimento, em todo o mundo. Uma ligação que serve de base para a recuperação emocional de infâncias traumáticas, onde a presença de um cuidador regular, durante 24 horas por dia, se revela uma aspeto diferenciador. 

Marta reforça esta importância também em sua casa: “Agora já não dizem, mas antes quando os ia deitar eles diziam logo: Tu amanhã estás cá? Não te vais embora? Agora já não, agora já têm a certeza.”

 Sobre o passado destes irmãos, Marta refere que por vezes existem visitas de alguns membros da família, embora pouco frequentes. “Eles às vezes falam daquilo que não tinham, do que passavam”. Marta refere ter muito respeito pela Mãe biológica das crianças, e lembra uma frase que a marcou muito: “Obrigada por fazer por eles o que eu não consigo!”

Para Marta, o futuro não é o mais importante. O que pretende agora é dedicar-se a estas crianças que sente como seus filhos, apesar de nunca ter sido Mãe.

Um dia perguntaram-lhe se amava estas crianças como uma mãe ama os seus filhos biológicos. E respondeu “não sei responder porque eu não sou mãe biológica, mas garanto que gosto tanto deles como qualquer outra mãe gosta!”

Depois de mais de um ano de acolhimento, a mudança na vida das crianças é notória, tanto a nível de saúde, emocional e mesmo educativo. São apenas 3 das cerca de 120 crianças que acolhemos nas nossas três Aldeias SOS.

O modelo de acolhimento das Aldeias de Crianças SOS, presente em mais de 500 Aldeias SOS em todo o mundo é diferenciador no impacto na vida das crianças.

Tal como Marta, muitas outras mulheres encontram aqui uma oportunidade de dar sentido ao seu futuro e sobretudo recompor a vida de muitas crianças que merecem a oportunidade de serem felizes, com Amor e um Lar.

*Os nomes e alguns factos referidos foram alterados por questões de privacidade das pessoas envolvidas.