Aleppo: O pesadelo que nenhuma criança deveria viver

14.10.2016 - No âmbito do Dia Mundial da Assistência Humanitária, 19 de agosto, recordamos que ainda existem 7,6 milhões de crianças que precisam de ajuda humanitária na Síria.
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Para além do trabalho com os refugiados, é essencial reforçar os programas existentes na Síria. As Aldeias de Crianças SOS da Síria apoiam as famílias e crianças que não puderam sair do país e continuam a viver neste cenário de violência e medo, oferecendo-lhes acolhimento, alimentos e apoio psicossocial. 

Um colaborador da organização no país conta que o medo é evidente nos rostos das crianças: “eles sabem quando estão a chegar os projéteis e têm a capacidade de diferenciá-los pelo som. Durante as noites, tentam dormir, mas o conflito persegue os seus sonhos”. 

refugiados siriaNos próximos meses, as Aldeias de Crianças SOS Internacional intensificarão a sua presença em Aleppo, uma das cidades mais afetadas pelo conflito e com maiores necessidades humanitárias. As Nações Unidas pediram o cessar das hostilidades na zona, para seja possível retomar o envio de ajuda e recuperar o fornecimento de água. Uma das prioridades será a criação de duas novas escolas temporais. Segundo dados recentes do Ministério da Educação sírio, das 4.040 escolas que existiam em Aleppo antes da guerra, restam apenas 686. 

A percentagem de crianças matriculadas na educação básica reduziu de 87% a 17%. Existirá ainda em Aleppo um novo “Espaço Amigo da Criança”, que complementará os quatro já existentes no país. O objetivo é proporcionar às crianças um ambiente seguro onde possam estar livremente, brincar e construir relações de confiança com os educadores, como passo prévio para a superação do trauma vivido. 

Também se colocará em ação na cidade uma Unidade Médica Móvel que proporcione cuidados básicos a crianças e famílias. Além disso, em parceria com a organização Meia Lua Vermelha Árabe, as Aldeias de Crianças SOS Internacional estão a distribuir comida a 2.500 famílias.  

refugiados siria“A situação terrível de Aleppo está a piorar de hora a hora”, referiu Alia Al-Dalli, diretor intermacional da região do Médio Oriente e Norte de África. “Crianças e famílias estão presas na linha da frente do conflito e a necessitar urgentemente de abrigo e bens alimentares.” 

“Os colaboradores das Aldeias de Crianças SOS na Síria estão a fazer tudo o que podem para ajudar o maior número de civis.”, disse Al-Dali. “A dimensão da crise humanitária é imensa e as condições são excecionalmente perigosas. Estamos muito preocupados com a segurança das crianças que são apanhadas por esta escalada de violência.”

As Aldeias de Crianças SOS trabalham na Síria há mais de 30 anos. Na sequência desta violenta guerra civil, foi lançado um Programa de Resposta de Emergência em 2013 para fornecer diversos tipos de assistência a crianças e famílias.