| (8-3-2010) - Estamos a assistir a um desenvolvimento muito positivo com reflexo num crescimento evidente e penso que as Aldeias estão a saber adaptar-se às enormes e rápidas mudanças que ocorrem nos dias de hoje, o que nos permite agir e não apenas reagir ao que acontece. |
Há quantos anos é director da Aldeia de Gulpilhares e o que o levou a vir colaborar com este projecto?
Iniciei esta caminhada em finais de 2003, fez em Novembro, seis anos. Tive conhecimento da obra através de pessoas amigas, soube que havia uma vaga para director da Aldeia, candidatei-me e felizmente fui seleccionado, pois este é um trabalho que adoro fazer. Atendendo ao tipo de instituição e à minha formação de base, tinha pela frente um grande desafio e com o meu empenho podia trazer grandes mais-valias para o crescimento da aldeia e de todos os seus pequenos moradores. Continuo a adorar o que faço e espero continuar por longos anos, pois os resultados apenas são visíveis ao fim de muitos anos.

Como descreveria uma Aldeia SOS e o seu dia-a-dia?
Sempre que acompanho visitas de grupos à aldeia e me colocam a mesma questão, respondo sempre que o funcionamento de uma aldeia e o seu dia-a-dia é como o de qualquer outro lar em qualquer ponto do país. As crianças vivem num ambiente familiar, frequentam as escolas públicas como quaisquer outras crianças, participam em inúmeras actividades, e claro brincam muito, pois os amplos espaços da Aldeia permite-lhes brincar em segurança e de forma saudável.
Qual a principal função de um director de uma Aldeia SOS? O que gosta mais neste trabalho e que situações é que o marcaram mais?
O director tem que assumir diversos papeis, sempre a procurar gerir o melhor possível a Aldeia, por forma a possibilitar o seu desenvolvimento e crescimento e para isso tem de acompanhar as crianças e os colaboradores e potenciar o seu crescimento enquanto pessoas. É fundamental assegurar um crescimento saudável das crianças que acolhemos na aldeia, para que tenham uma infância feliz e se preparem para quando jovens adultos alcancem a sua autonomia, com sucesso.
Como vê a suas relações com as mães SOS e as crianças?
É uma aberta e respeito mútuo, no respeito pelas diferenças, procurando sempre que possível chegar a um consenso em qualquer tomada de decisão. Mas quando é necessária uma chamada de atenção mais vigorosa, explico o porquê, para que seja bem aceite e compreendida. Gostaria também de salientar que esta relação tem vindo a crescer e amadurecer ao longo do tempo, pois só o tempo de convivência permite o conhecimento daqueles com quem lidamos diariamente.
Como vê o desenvolvimento da sua Aldeia e em geral o modelo de acolhimento das Aldeias de Crianças SOS nos próximos anos? Haverá novas áreas de trabalho?
Estamos a assistir a um desenvolvimento muito positivo com reflexo num crescimento evidente e penso que as Aldeias estão a saber adaptar-se às enormes e rápidas mudanças que ocorrem nos dias de hoje, o que nos permite agir e não apenas reagir ao que acontece.
O nosso modelo de acolhimento continua a ser dos mais adequados para o crescimento de uma criança que não pode ficar com a sua família biológica, pois é o modelo que mais se aproxima da vivência numa família.
As Aldeias SOS vão iniciar novos programas, centrados nas crianças e defesa dos seus direitos, com a intervenção junto das famílias biológicas evitando a sua separação e com centros de acolhimento temporário.
Como consegue conciliar a sua vida profissional com a sua vida pessoal?
Posso afirmar que esta pergunta é difícil de responder, pois vivendo no local de trabalho, por vezes o trabalho vem-nos bater à porta, seja a que hora for. Mas encontro sempre tempo para estar com a minha família biológica e dedicar também tempo de qualidade aos meus dois filhos e mulher, seja na Aldeia, seja em escapadelas. Em muitas situações os momentos de lazer são passados também com a companhia da pequenada da Aldeia com quem os meus filhos brincam e de quem são amigos.

.jpg)
![Boletim 2º Trimestre 2010 [PDF / 13.550KB],](/media/6/Image/publicacoes/boletim2T2010.gif)


